Nunca na história, tivemos a oportunidade de comprovar uma das mais relevantes percepções da natureza humana: “O Ser humano é o único animal que tem a maior capacidade adaptativa dentre os outros”.
Todos nós estamos nos adaptando a novos estilos comportamentais, profissionais, ambientais, sociais, dentre outros. Não deu tempo de nós prepararmos para as estas mudanças, mesmo eu, particularmente sempre escrevendo ou falando em cursos, treinamentos, consultorias e palestras, confesso que também fui surpreendido com a velocidade do futuro ter sido antecipado. Uma onda invisível nos arrastou e nos obrigando a lidar com resiliência, flexibilidade, mudança e transformação, palavras que sempre ouvíamos, mas fomos postergando ou provavelmente nem acreditando que tão rapidamente teríamos que nos adaptar a tantos novos recursos que temos, mas com rara tendência de acesso a eles.
Momento de refletirmos e pensarmos nas mudanças mais profundas, naquelas transformações que devem moldar a realidade à nossa volta. Conscientizarmos que está emergindo uma Nova Era de Desenvolvimento.
Nossos pensamentos e ações tendem a se transformar daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não se conscientizou dessa nova realidade. Mudanças que levaria décadas para ocorrer, que nós seres humanos levaríamos muito tempo para implementar voluntariamente, somos obrigados a abraçar no susto, independente de aceitarmos ou não.
Mudança x Adaptação: vamos nos reunir socialmente?
O grande questionamento que fica impregnado nas mentes das pessoas é: Teremos nossas vidas de volta? Me perguntam sempre isto, e respondo que sim, mas com novos comportamentos oriundos desta fase. Todo processo adaptativo produz aprendizagens e, certamente, novos comportamentos emergirão.
Os trabalhos presenciais em grupo, obviamente serão com mais prudências e adaptando ambientes que possam gerar segurança para que as pessoas se sintam à vontade. Nós que sempre vivemos numa filosofia do existencialismo ocidental, iremos nos adaptar a alguns comportamentos orientais, cada qual de acordo com sua forma de se sentir seguro e adaptável ao meio social. O ser humano não deixará de viver em sociedade, não abdicará de buscar conhecimentos, até mesmo porque agora será mais relevante a busca pelo desenvolvimento contínuo.
Será possível saber que superamos um desafio gigante. Essa experiência forte já está levando algumas pessoas a valorizar as relações humanas, a família e pequenos prazeres. Para suportar a angústia e a incerteza, as pessoas estão buscando evolução espiritual, pensando mais em aproveitar o presente, vivendo o aqui agora. Haverá um resgate de estilos de vida simples, mais focados nas relações humanas, na saúde e na felicidade, no desenvolvimento e capital intelectual e menos na acumulação de bens materiais tidos como supérfluos.
Quando o período de distanciamento social passar, voltaremos a nos encontrar, a viajar, a participar de eventos, dentre outros, com inteligência e prudência. Obviamente os meios de comunicação remotos vieram para serem inseridos como alternativas, porém não conseguiremos eliminar o convívio social que é uma cultura de décadas.
O estigma do século 20 e a relevância da Relação Humana:
Ainda nessa linha, havia uma visão entre especialistas de que faltava um símbolo para o fim do século 20, uma época altamente marcada pela tecnologia. E esse marco emergiu.
O registro marcante do século 19 foi a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo.
Penso que este momento marca o registro do final do século 20, que foi o século da tecnologia. Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico. Importante ressaltar que a consciência do ser humano será voltada para sua própria evolução, ampliando suas capacidades e habilidades, principalmente no trato para lidar com as relações humanas de maneira pratica, respeitosa e eficaz.
O acelerador do Futuro:
Visionários percebem que este momento está atrelado como um acelerador de futuro, antecipando mudanças que já estavam em curso, como a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais flexíveis sob o ponto de vista social.
Outras mudanças estavam mais embrionárias e talvez não fossem tão perceptíveis ainda, mas agora ganham novo sentido diante da revisão de valores, como o fortalecimento de valores atrelados a solidariedade, o abandono do egocentrismo, a visão coletiva e a inteligência empática, extraindo aquela visão limitante do consumismo e do lucro a qualquer custo.
Convido-lhe a refletir: “Quer continuar a confrontar crenças e fazer mudanças significativas para o futuro ou simplesmente preservar o antigo status quo?”
O Contexto Organizacional:
A transparência mais transparente tende a ser a nova tônica da gestão de empresas, impulsionada por alguns trabalhos remotos. Em uma dinâmica de condução de processos a distância, é mais difícil controlar as ações de funcionários, o que exige um alinhamento maior entre as equipes e a própria empresa. A ideia é que cada um entenda as ambições da companhia e seja capaz de tomar atitudes para caminhar em direção a um norte comum.
“O relógio de ponto, dará lugar a um novo conceito: a entrega de qualidade sem focar no tempo. Cada vez mais a maestria e competência fará com que os profissionais sejam velozes e competentes na entrega do trabalho proposto”.
Lidar com a imprevisibilidade exige a queda do sistema de comando e controle. Me refiro ao modelo de gestão vigente em grande parte das empresas tradicionais, no qual as decisões são concentradas na alta liderança, que define as estratégias e controla os liderados ou colaboradores, pois este sistema funciona quando há previsibilidade no mercado, mas perde o sentido em um contexto instável, e com clientes e consumidores cada vez mais poderosos.
Um time que veja tudo o que está acontecendo e que entenda os desafios e objetivos da empresa tem mais capacidade de reagir às dificuldades que se apresentam.
Esta mudança não se restringe apenas ao aumento da transparência na comunicação da alta liderança com os colaboradores, mas abraça uma transformação mais radical das dinâmicas da empresa. Para que isso funcione, aposto no modelo de sociedade, em que os colaboradores tenham participação significativa nos lucros e resultados, conscientizando que esta dinâmica tem impacto direto em sua remuneração e, consequentemente, na vida pessoal.
Nunca fora confortável para um colaborador se matar pelo executivo principal, mas sim por si próprio, trilhando a própria carreira. Emerge uma modalidade de empreenderem juntos e isto sempre foi o amago do engajamento, onde o olhar da concretização final, também passa pelas ideias criativas de cada elemento de um departamento, empresa ou sistema.
Algumas tendências que observaremos:
Revisão de crenças e valores
O novo Mindset, um reset, uma espécie de um divisor de águas capaz de provocar mudanças profundas no comportamento das pessoas. Mudanças de valores e critérios, convidando as comunidades a se unirem e trabalharem mais como equipes, seja nos bairros, entre colaboradores de empresas, seja o que for. E isso pode afetar os valores daqueles que vivem nesse período, assim como ocorre com as gerações que viveram guerras. Não precisamos nem pensarmos muito, pois já começamos a perceber esses sinais no Brasil, com várias atitudes de pessoas se contribuindo para ajudar os idosos, por exemplo.
Menos é mais
Rever hábitos de consumo, ou seja, a ideia de “menos é mais” tende a nos guiar como consumidores daqui para frente. Transforma nossa relação com o consumo, reforçando um movimento que já vinha acontecendo. Consumir por consumir saí de moda. O outro lado desse processo é o questionamento maior do modelo de capitalismo desenfreado, baseado pura e simplesmente na maximização dos lucros. O que antes em uma organização gerava resultados financeiros, persuadindo, incentivando o consumo, aumentando a produção e as vendas, tende a não funcionar mais, pois faz-se necessário pensar no valor concedido às pessoas, no impacto ambiental, na geração de um impacto positivo na sociedade ou no engajamento com uma causa. Faz-se necessário olhar definitivamente com confiança para os colaboradores. Faz-se necessário repensar a sociedade do consumo e refletir o que é essencial.
Reconfiguração dos espaços públicos e comerciais
Os cuidados com a saúde e o bem-estar, que estarão em alta, devem se estender aos locais públicos, especialmente os fechados, pois o receio de locais com grandes aglomerações deve permanecer.
Eis um ponto de atenção para bares, restaurantes, cafeterias, academias e coworkings, que devem redesenhar seus espaços para reduzir a aglomeração e facilitar o acesso a produtos de higiene, como álcool em gel.
Trabalho remoto
O home office já era uma realidade para algumas pessoas e empresas. De freelancers e profissionais liberais a funcionários de companhias que já adotavam o modelo. Mas essa modalidade vai crescer ainda mais. Mais empresas de diferentes portes passarão a se organizar para trabalhar com esse modelo.
Busca por novos conhecimentos
Num mundo em constante e rápida transformação, atualizar seus conhecimentos é questão de sobrevivência no mercado. A Era de incertezas aguçou esse sentimento nas pessoas, que passam, nesse primeiro momento, a ter mais contato com novas aprendizagens, para ampliar seu processo evolutivo. Afinal, cada vez mais as empresas darão oportunidades para o capital intelectual, ou seja, profissionais que tenham diferenciais de percepção inteligentes, capacidade de liderança coletiva, facilidade de compreender e lidar com o processo de engajamento, flexibilidade comportamental, dentre outros.
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